21.2.07

EDUCAÇÃO - SOCIEDADE - EDUCAÇÃO

Penso que a educação nos nossos dias deverá assentar sobretudo em três vectores: Tradição, Vivência e Crítica. Tradição porque não podemos viver divorciados do nosso passado e o devemos ter em conta cada vez mais. Vivência, porque a experiência prática é nos dias de hoje determinante. Temos de estar dentro das coisas e não o inverso. Crítica, porque não podemos nem devemos abafar opinião nem liberdade de expressão.

É também claro que o desenvolvimento do processo educativo está actualmente repartido entre a sociedade, a família e a escola. Mas a divisão e o peso de cada um é substancialmente diferente. São cada vez mais os factores que influenciam e determinam este desenvolvimento.
A actual sociedade ao exigir uma contínua consolidação e actualização do conhecimento, remete para a educação a necessidade de ser uma construção contínua do ser humano, pelo que a escola desempenha então um papel fundamental e cada vez mais determinante neste processo. Por outro lado a família está cada vez mais longe, mais dividida e com menos tempo.

No estabelecimento de ensino onde me encontro a leccionar ( Escola EB 2,3), realizámos um pequeno inquérito sobre os hábitos de leitura da Comunidade Escolar. Entrevistámos 750 pessoas de entre os quais 50 eram professores. E o que constatámos:

1. 1. Os professores todos gostavam de ler. Aliás todos os inquiridos liam no momento algo. Na maioria romance.
2. 2. Os alunos, também liam. Banda Desenhada e a colecção Uma Aventura, lideravam no 2º ciclo. Mas ao subirmos na idade verificámos uma diminuição na vontade de ler por troca com outros interesses de actividade: televisão, musica, computadores e desporto...
3. 3. No 2º ciclo verificamos uma percentagem de hábitos de leitura de 80% (250 alunos)
4. 4. No 3º ciclo verificamos uma percentagem de hábitos de leitura de 40% ( 300 alunos)

Ou seja os nossos jovens até vêm com vontade de ler para o 2º ciclo, mas depois vão perdendo essa vontade aos poucos. Penso que por muito que os professores se esforcem neste nível de ensino, a sociedade é aqui determinante. E da escola cada um vai reter o que mais lhe interessa.

Assim sendo ou os professores se antecipam às situações e desarmam permanentemente os bombardeamentos “sociais” desenvolvendo nos alunos o sentido crítico e criativo sobre a actualidade, de modo a que eles mesmo possam construir o seu próprio amanhã. Ou corremos o risco, de não só , estarmos a empenhar a educação, mas também, a desgastar um conjunto de agentes educativos que cheios de vontade têm uma imaginação riquíssima que é um crime anular.


Carlos Alberto Ferrão Garcia
2002